Regresso hoje com uma rubrica que tanto gosto aqui ao blogue, com uma conversa com a Liliana, blogger, escritora, e futura mamã. Autora do livro “Gabriel 120419” editado pela Chiado Editora, e recentemente tem também uma coluna de crónicas no Wattpad, uma plataforma que me é muito querida. 

Venham conhecer melhor a Liliana, em breve trago também opinião do livro dela aqui para o blogue!

Desde já muito obrigada por aceitares dar esta entrevista. De Liliana para Liliana! Acho que devo começar pelo início de tudo, quando nasceu o teu gosto pela escrita? 

Olá! Eu é que agradeço. Engraçado, a primeira entrevista que dou ser para outra Liliana. Pode ser bom sinal. O meu gosto pela escrita começou em miúda quando escrevia nos meus diários. Mais tarde, por volta do 8º ano, adquiri um interesse maior devido ao incentivo de uma professora que me elogiava as composições. Já numa fase adulta escrevia para mim mesma e mostrava e algumas amigas que me incentivavam. Acredito que o gosto pela escrita nasceu comigo, só tive de o desenvolver ao longo dos anos, e acreditar que um dia daria frutos este sonho. 

Tens algum ritual de escrita? Uma inspiração especial? 

Olha , na verdade não tenho, nem uma coisa nem outra. Às vezes estou dias sem pegar na caneta e nos papéis. Escrevo quando tenho vontade e me sinto motivada para tal. Nem todos os dias sinto que a minha mente está direccionada para a escrita/imaginação. A inspiração vem em certos momentos, e é nessas alturas que aproveito para escrever. 

Como nasceu a ideia do livro Gabriel 120419? 

O Livro Gabriel 120419, surgiu numa altura em que concorri para um concurso literário da FNAC. Vi o concurso online e logo no mesmo dia alguns pontos da história surgiram. Existe outro motivo mais pessoal para o conto ser sobre um bebé, chamar Gabriel e a data ser essa, mas só costumo revelar após lerem a história, acredito que assim sentirão ainda mais o pequeno Gabriel. 

E porquê o tema do Holocausto? 

Já a alguns anos que o tema Holocausto me é muito chegado. Fico muito sensibilizada com a história dos judeus, devido ao que tiveram de passar por preconceito descabido e desumanizado daqueles que se achavam superiores. Posso-te dizer que já vi imensos documentários sobre o assunto, alguns mais que uma vez. Em termos de livros os que mais tenho são sobre esse tema e filmes acredito que se me faltar ver algum, sejam muito poucos. É realmente um tema que chega ao meu coração e que me emociona.. Daí dizer na biografia do livro, que não faria sentido o meu primeiro livro ser de outro tema que não este. 

Sendo um tema literário muito popular no estrangeiro, e mesmo em Portugal. Será esse um ponto a favor para o teu livro?


Confesso que quando lancei achei que devido ao tema em si seria realmente algo que os leitores poderiam querer explorar cá e no exterior. Principalmente por ser escrito por uma autora portuguesa. Contudo, não tem tido muita saída por agora, mas acredito que as pessoas pouco a pouco se venham a interessar. Sei que sou suspeita por ser uma obra minha, mas acredito que o Gabriel 120419, vem mostrar uma perspectiva diferente e interessante de vermos o outro lado de quem viveu também o Holocausto. Vai fazer em Julho um ano que o lancei, vamos esperar para ver se desperta a atenção e sensibilidade de mais leitores à sua leitura. Se foi ou não um ponto a favor. 

Publicaste na Chiado Editora, onde se sabe que se paga para publicar. Tentaste editar por uma editora dita “normal”, ou seguiste logo por este caminho? 

Já me questionaram isso antes e acredito que haja uma falha de informação. Eu contactei várias editoras, acima de 40, para te ser sincera! Recebi alguns feedbacks positivos de editoras interessadas, uns negativo e outras que não responderam ou que responderam após ter decidido já assinar pela Chiado. Algumas levam mais tempo a analisar as obras. Mas posso-te dizer que todas elas cobram. Umas mais que outras, mas todas cobram para adquirires os teus primeiros exemplares e teres o serviço que te prestam para lançares. Isto para novos autores com a sua primeira obra. Nós somos desconhecidos no mercado e acaba por ser um risco também para a editora. Agora se me perguntares se os orçamentos são justos. Aí já é outra conversa… 

No entanto, na altura o meu objectivo era que a Chiado Editora me desse feedback positivo, pois sabia que era um nome conceituado em Portugal e no Brasil. 

Qual achas que é o maior desafio para publicar um livro em Portugal? 

Para publicar na verdade, nenhum! Desde que tenhas orçamento disponível para pagar e uma editora interessada, já está metade feito. O desafio mesmo é fazer chegar às massas. Fazer chegar aos leitores e aos mídia. Pois Portugal, infelizmente, consome muita literatura estrangeira e aposta pouco nos seus autores. Assim como as próprias editoras, não só a Chiado, divulgam e acreditam muito pouco na obra do autor. E na verdade é do que mais precisamos. Divulgação, divulgação, divulgação! 

Nunca mais ler ou nunca mais escrever… É complicado responder a isso. Mas amo escrever e adoro ler. Por isso, tendo de escolher uma das opções, seria nunca mais ler. Mas espero nunca ter de fazer nenhuma dessas escolhas.

Cada vez mais temos livros a ter adaptações ao cinema. Se a tua obra tivesse uma adaptação cinematográfica qual seriam os atores principais? 

Interessante falares sobre isso pois já recebi críticas positivas referindo essa ideia. E é algo que gostava de explorar. Teria de adaptar o livro pois é pequeno, mas seria algo que me seria prazeroso ver. Quanto aos actores é algo que não me ocorreu até à data. Mas pensando nisso agora, se fossem actores portugueses se calhar escolhia a Cláudia Vieira para a mãe biológica do Gabriel, a Dalila do Carmo ou a Catarina Furtado para mãe adoptiva, e se calhar, o pai adoptivo do Gabriel seria o Diogo Morgado ou o Paulo Pires. Sonhadora não é? 

O que dirias a alguém para a convencer que devia comprar o teu livro? 

Eu tento convencer a comprarem o meu livro através da empatia. Pois é sobre isso que o mesmo fala. Embora seja uma história com cerca de 75 anos, ainda podemos rever alguns dos seus pontos no presente. Através do preconceito seja pelos humanos, seja pelos animais. Infelizmente ainda existem pessoas que se deixam levar pelas diferenças e se esquecem que somos todos diferentes, mas todos iguais. Somos todos Humanos. E como tal merecemos todos o direito à vida. O meu livro reflete muito isso e acredito que esse seria o melhor motivo para o lerem. 

Tens também um blogue literário, qual é a razão da sua criação? 

Já tinha tido dois blogs à uns anos atrás, e depois de algum tempo desistia. Penso que não era pra ser. Quando escrevi o livro, achei que o blog seria mais um meio de divulgação. Hoje aproveito para divulgar autores, com o meu projecto #autoresPortugueses, falo também um pouco sobre a maternidade e outros assuntos que me possam parecer interessantes para partilhar. Recentemente criei também uma coluna, a “Amor, Vinho e Outras Merdas” para assuntos mais relacionados com relacionamentos. 

Vamos ver como continua o mesmo. Ainda é um bloq recente, não tem praticamente views, mas espero expandir. Chama-se “A Li Voa AQui”, quem quiser visitar é bem vindo! 

E já agora, quais são os três livros que achas que todos deveriam ler? 

Bem, o Gabriel 120419 pela mensagem que transmite. Anne Frank e qualquer um do Augusto Cury. 

A média de livros lidos por portugueses é muito baixa, qual acreditas ser a essência do problema? E como acreditas que se pode inverter a tendência? 

Acredito que se pode sim inverter a tendência se cada um começar por se querer instruir mais. Ganhar mais curiosidade e interesse pela leitura. Um dos grandes problemas, a meu ver, é aquela “caixinha quadrada” que tantas vezes vicia as pessoas.

Para acompanhar a leitura não gosto de café. Acho amargo, mesmo com açúcar. A melhor é sem dúvida o chá…amo chá!

Se tivesses a oportunidade de te encontrar com um escritor/a à tua escolha, quem escolherias e porquê? 

Anne Frank. Iria querer ouvir o seu relato ao pormenor, contado por ela mesma. 

Sendo que estás grávida, quais os livros que fazes questão que o teu filho leia?

Por agora já tenho ali alguns separados de bebé para lhe ir lendo já desde pequenino. As típicas histórias de criança e outras não tão de criança mas que ele vá percebendo pouco a pouco, e que veja que lhe agradam. Como por exemplo, Gabriel 120419.Mais para a frente quero que ele decida o gênero literário que mais lhe tocar e fizer sentido ler. O importante para mim é incutir-lhe o gosto pela leitura desde pequeno.

Por fim, se pudesses voltar atrás no tempo, o que dirias à Liliana de 16/17 anos?

Escreveste e lançaste um livro! Acreditas-te e conseguiste! Estou orgulhosa de ti! Obrigada!

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Até ao próximo post, Boas leituras!

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