Título Original: Yedinci Kogustaki Mucize

De:  Mehmet Ada Öztekin

Com: Aras Bulut Iynemli, Nisa Sofiya Aksongur, Deniz Baysal

Género: Drama

País: Turquia

Duração: 132 Minutos

Ano: 2019

IMDB: 8,3/10 ✮

Trailer

Sinopse

Preso pelo homicídio da filha de um comandante, um pai com deficiência intelectual tem de provar a sua inocência e regressar para junto da sua filha.

A Minha Opinião

Este filme, que é considerado ainda o filme do momento, tem uma premissa simples, um pai, Memo, com deficiência mental é afastado da sua filha, Ova, porque é acusado de matar uma criança, que por grande dos azares é filha de um comandante do exército turco, que quer fazer justiça pela morte da filha custe o que custar. E assim Memo acaba na cela 7, onde o seu próximo destino é a forca. 

Eu vi este filme na semana da páscoa em massa nas redes socais, mas sem ler nada sobre o assunto, percebi logo que era um filme triste e para desidratar. Pus logo de parte a ideia de o ver, não é o meu tipo de filmes preferido. Contudo, acabei por passar duas horas a vê-lo e a chorar. 

Já li entretanto muito sobre o filme nos jornais. Afinal todas as publicações têm algo a dizer sobre o filme do momento, que é um remake de um filme homónimo sul coreano de 2013, que não teve obviamente tanto sucesso como este, afinal o empurrãozinho da Netflix ajudou a este sucesso, não estando grande parte do mundo em confinamento, e as plataformas de streaming a bombar. 

Aqui em Portugal, as críticas  não são as melhores, os especialistas consideram o filme manipulador. O Nit afirmou que o filme tem apenas um objetivo “servir como um exercício de chantagem emocional.”. Também o Magvai também por esse sentido, afirmando que o filme é manipulador porque nos apresenta um pai “especial”. Já o Público, o mais simpático de todos, mostrando que afinal algum jornalista gostou do filme, afirmou que O Milagre da Cela 7 é “uma história emocionante que nos deixa a sensação de que vale a pena apreciar o que de melhor tem o cinema.”

E eu o que achei? Bem, não o achei manipulador, se assim fosse vários filmes o seriam. As pessoas tendem a ficar mais sensíveis e emotivos com alguns temas, e vendo bem o Nicolas Sparks conhece-os todos, não fossem os livros dele fazerem os leitores gastarem lenços. 

Se vermos uma pessoa com uma deficiência, a ser posto de parte, a ser injustiçado, e a não se conseguir defender devido à sua forma de ser, nos faz chorar, bem se calhar somos só humanos, que nos sensibilizamos com a dor dos outros. Se quem escreveu o argumento sabia disso? Sim, a formula para a choradeira não é nova, mas daí a nos manipular, e chantagear emocionalmente acho que é exagerar.

Durante o filme damos de caras constantemente com a descriminação contra uma pessoa  com deficiência, por o considerarem maluco, leva pancada forte e feito, é obrigado a assinar uma confissão de um crime que não cometeu, afinal pegar no dedo do homem e por a sua impressão digital, porque nem escrever sabe. Provavelmente a razão para a sentença ser tão dura, é o facto de a criança morta ser filha de um comandante, que acha que pode tudo o que quer, e basicamente mostra isso mesmo. Na realidade de analisarmos os vários momentos da miúda que morre a interagir com Memo, ou a olhar para Ova e o pai, é de vontade de ter aquela relação com o pai, e isso acaba por ser uma razão implícita para a morte, na minha humilde opinião.

A história do filme passa-se nos anos 80, a questão é: poderia hoje o filme ter o mesmo conteúdo se se passasse nos dias de hoje? Não, desde de 2004 que a Turquia aboliu a pena de morte, com o objetivo de conseguir entrar na União Europeia, que até hoje não conseguiu, todavia é de salientar que parece que ao longo dos anos tem havido vontade de regressar com a medida, havendo inclusive referendos.

Em Portugal, a pena de morte já foi abolida, ainda no século XIV, mas o filme também nos faz pensar, até que ponto a pena de morte é aceitável? E principalmente, poderá o facto de uma pessoa ter uma deficiência mental, atenuante? É sem dúvida um filme que nos faz pensar.

Mas com tanta coisa ainda não disse se gostei ou não do filme, pois bem, ainda nem eu sei bem. O facto de me ter emocionado, e bastante, com o filme não quer dizer que tenha adorado, mas também não desgostei. É um filme para refletir, para nos fazer pensar na nossa vida, nas relações que mantemos com os que estão próximos de nós.

O Milagre da Cela 7, não é um filme que nos manipula, mas sim, um que nos mostra o bem e o mal da sociedade, as segundas oportunidades, a fragilidade humana, a bondade, a compreensão, e acima de tudo o amor incondicional.

Classificação

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6 Comments

  1. eu adorei ver, chorei imenso. se calhar estamos mais sensíveis nesta altura mas mesmo assim eu tenho certeza que choraria em qualquer altura.

    1. Eu também, fiquei com os olhos inchados a tarde toda.
      Claro que os tempos que estamos a passar podem também ajudar a estarmos mais sensíveis, mas concordo contigo, choraria em qualquer altura.

  2. Não sou muito de filmes, confesso, prefiro séries. Mas este vi, dado o alarido. Estive o tempo inteiro a dizer que não o devia ter feito pois era muito triste. No entanto, este é o meu tipo de filme. Não sendo eu pessoa de chorar, gosto de filmes que me façam sentir alguma coisa e os filmes tristes fazem-me pensar. Portanto, parece mau dizer, mas gostei muito deste filme, precisamente pela emoção que causa.

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