Regresso ao blogue com mais um entrevista a um autor nacional. Desta vez, Diogo Simões um jovem escritor natural de Leiria, que conta com três livros publicados, sendo o mais recente “O Que Nos Magoa”, lançado em dezembro do ano passado pela Cordel D’ Prata. 

Convido-vos a conhecê-lo!

Olá Diogo, desde já, muito obrigada por me conceder esta entrevista. Como se descreve em apenas numa palavra?

Olá, Liliana. Obrigado eu pelo convite. Descrevo-me, sem dúvida, como alguém curioso.

Não esquecendo a pergunta padrão, onde nasceu o seu amor pela escrita?

Não consigo saber ao certo, mas sei que na minha infância adorava inventar jogos para depois, mais tarde, começar a criar histórias para as minhas brincadeiras com bonecos. Penso que esta imaginação foi crescendo até me levar a experimentar a escrita. Dei-me bem com ela.

Tem algum ritual de escrita?

Gostava de dizer que com três livros já publicados, tenho um método infalível, mas mentia. Acontece que ao estar agora a terminar um Mestrado, parte do meu tempo foi sugado. Estou ainda a tentar encontrar algum contrapeso, mas o que fiz em “O que nos Magoa” foi escrever todos os dias, descansando ao fim-de-semana, onde revia o escrito dessa semana.

Tendo já editado três livros, como descreve a sua jornada enquanto escritor?

Foi uma jornada atribulada em diversos campos, nomeadamente do conhecimento editorial. Mas em suma, considero que estou a fazer um caminho linear. Que tudo o que aprendi e sofri enquanto batalhava na luta de “novo autor”, está a dar resultados na componente do conhecimento. Ainda existe muito espaço para crescimento, mas sinto-me feliz.

Se só pudesses escrever sobre um tema qual seria?

Acho que a escolha iria recair sobre os problemas sociais. São tantos, e sumarentos, infelizmente, que ficaria feliz com este caminho.

O mercado editorial em Portugal é ainda muito fechado, o que acha que falta para que mais jovens autores consigam publicar as suas obras?

Concordo a 100%, e acredito que falha muito a transparência. As novas editoras, as que mais publicam autores lusófonos, querem atrair novos autores por mecanismos e falcatruas nem sempre correspondem à verdade. Mas isto não chega: a mente dos leitores precisa de mudar e saber dar oportunidade às novas vozes para que, consequentemente, os livreiros também sejam recetivos a estes novos livros.

Qual a característica que o escritor tem de ter?

Penso que o “acreditar em si” é fundamental. O saber qual a nossa voz, o caminho que queremos seguir, se revela fundamental para uma trajetória nem sempre linear.

Sendo o seu novo livro um romance Young Adult, direccionado para um público mais jovem, o que acha essencial para conseguir cativar os jovens para a leitura?

Uma pergunta deveras interessante e que me leva a atribuir alguma responsabilidade ao Ministério da Educação e da Cultura ao conseguir chegar, por meio da Escola, a novos jovens e encarregados de educação. É preciso haver uma maior democratização da literatura – algo que teima em chegar. Também se torna imperativo os diversos municípios dinamizarem atividades para os seus autores e que os junte de públicos mais jovens. 

Sendo o romance o género mais comum, como é que se consegue inovar, onde já se escreveu tanto?

Acredito que muito pela essência da história. O que procuro com os meus romances é, por si só, explorar o género jovem-adulto e novo-adulto que, cá em Portugal, ganha mais reconhecimento pela literatura traduzida. Em termos “históricos” procuro aliar as histórias que vou conhecendo por meio da minha experiência em Serviço Social para atribuir vivacidade a uma ficção interventiva. Que coloque o leitor a pensar reflexivamente. 

Qual o/a autor/a que considera uma inspiração?

A pensar no que disse anteriormente, a escritora Colleen Hoover é uma força da natureza. Sendo americana, adoro a forma como as suas histórias se inspiram nas diversas realidades sociais e como, enquanto autor, tem diversos projetos para ajuda a causas nobres como a novos autores. É um pilar fundamental para mim.

Se tivesse a oportunidade de jantar com um autor, vivo ou não, qual escolheria? E que pergunta não deixaria de lhe fazer?

Terei de alinhar esta resposta com a da pergunta anterior. Adoraria questionar a Colleen Hoover em como a sua experiência nas matérias de infância e juventude se traduzem em personagens tão vivas.

Existe alguma inspiração na realidade para as personagens que criou?

Sem dúvida. Em O QUE NOS MAGOA procurei aliar casos verídicos e que tomei conhecimento, não só por via direta e prática, como por notícias. Uma forma de dar mais consistência à imaginação. 

O que dirias a alguém para a convencer que devia comprar o teu livro?

Diria que não obstante o carimbo de romance/drama/género jovem-adulto (por ter personagens adolescentes como protagonistas), que O QUE NOS MAGOA é uma história que vos poderá levar a redescobrir os prazeres e dissabores da adolescência, ao mesmo tempo que apresenta realidades, muitas das vezes, incompreendidas e invisíveis. Fala de identidade, crescimento, primeiras paixões, caminhos profissionais a seguir, sexualidade, independência, homossexualidade, etnia cigana, etc.

Quais são os seus projetos para novos livros?

Quero muito continuar na onda de “escrita interventiva” e levar os leitores a pensar. O próximo livro irá assim abordar a forma como as redes sociais se estão a revelar um problema para os nossos jovens.

Pegando no título do seu último livro, o que é que no seu caso o magoa?

Magoa-me muito a forma como o nosso país, tendo tanto potencial, peca pelo tentar. Quer desde a escrita, à sociedade, passando pelo investimento no futuro das energias renováveis, justiça e saúde. Penso que poderíamos ter um lugar muito melhor do que aquele que nos aceitámos a ter.

Podem adquirir o livro Diogo na wook, na bertrand e na loja da editora.

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Até ao próximo post, 



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