Salazar – A Queda de uma Cadeira que Não Existia

(Livro 1)

de José António Saraiva 

ISBN: 9789896169664

Edição: 06-2020

Editora: Gradiva

Páginas: 352

Género: História de Portugal; Biografias

Onde Comprar

Wook

Bertrand

Goodreads: 4,29✯ (aqui)

Sinopse

Este livro é uma biografia com uma perspectiva original sobre a história do ditador português. É a sua História escrita de dentro para fora e não de fora para dentro, como quase sempre se faz. Muita gente olha para os factos históricos à luz dos conceitos de hoje. Falamos de colonialismo com base nas ideias de hoje.

Este livro coloca-se na época, tenta percebê-la por dentro, projectá-la de dentro para fora para a mostrar aos leitores como era o tempo resultando numa verdadeira história do Estado Novo. Normalmente, as histórias do Estado Novo são histórias da oposição ao Estado Novo, das torturas da PIDE, das revoltas contra Salazar, das eleições de Delgado, do desvio do Santa Maria, etc.

Ora esta história, tendo esses episódios, tem sobretudo uma visão sobre o próprio Estado Novo, das suas figuras, das relações entre elas, os seus conflitos, dos seus projectos, das suas ambições, das suas realizações.

Trata-se de uma reconstituição histórica e não de uma história académica, que procura descrever os acontecimentos com o seu colorido, explicados no contexto da época, reproduz diálogos, conversas, factos, como se o autor estivesse a assistir a eles e os relatasse, como um repórter jornalístico, sem qualquer preconceito político.

Sobre o Autor 

O jornalista e escritor José António Saraiva nasceu em 1947, em Lisboa, sendo filho de António José Saraiva, ensaísta, historiador e crítico literário, e sobrinho do também historiador José Hermano Saraiva. Arquiteto de formação, foi no jornalismo que mais se destacou. De qualquer maneira exerceu arquitetura durante quinze anos. Ainda muito jovem, aos 17 anos, José António Saraiva estreou-se no jornalismo, escrevendo no Comércio do Funchal, dirigido por Vicente Jorge Silva, onde assinava crónicas sobre a sociedade. 

Em 2001 lançou o romance O Último Verão na Ria Formosa, um livro policial que demorou treze anos a conceber. Foi a forma que encontrou de poder exercer uma escrita diferente da que habitualmente utilizava no Expresso e de poder recorrer a outros temas que não a política. De qualquer forma defende que é positivo que um jornal como o Expresso tenha o mesmo diretor ao fim de tantos anos porque dá mais confiança aos leitores. 

A experiência na escrita de ficção agradou ao diretor do Expresso que de pronto começou a escrever um novo romance sobre a história de uma mulher ao longo de três fases da sua vida. Em novembro de 2002 José António Saraiva lançou o Dicionário Política à Portuguesa, obra que foi distribuída juntamente com o Expresso. Este dicionário incluía textos originais e uma seleção de crónicas de sua autoria, da “Política à Portuguesa”, renomeadas e organizadas de A a Z.

A Minha Opinião

Desde de miúda que sempre adorei a disciplina de história, e mais concretamente a História de Portugal. Desde dos Reis à ditadura Salazarista, esta sempre foi a parte que mais gostei de estudar na escola. Recentemente na universidade, na cadeira de História Económica Portuguesa, escolhi o período da entrada de Salazar para o poder para o tema do trabalho para esta cadeira, e fiquei surpreendida, apesar de estar exclusivamente a debruçar-me sobre as questões económicas. 

Quando soube do lançamento deste livro, fiquei curiosa com o que prometia abordar, e não resisti até o ler. 

O livro começa logo por desvendar a questão central do título do livro, a cadeira que na escola me tinham dito fora a morte de Salazar, sinceramente nunca tinha sequer posto em dúvida se era verdade ou não, afinal porque haveriam de mentir? A verdade é que ninguém sabe o que aconteceu, e quem sabia já faleceu, por isso apenas poderá haver especulações. Mas o leitor através das versões da história contadas, poderá tomar as suas próprias conclusões, ou não…

Além disso aborda a chegada de Salazar ao poder, a sua relação com Marcello Caetano, a forma como foi gerida a Guerra Civil Espanhola, e principalmente a 2ª Guerra Mundial, como é que Portugal se conseguiu afastar desta guerra, e de que forma isso o afetou, e admito que me surpreendeu, a forma como Salazar gere toda a questão de neutralidade de Portugal, que o levou a uma depressão. E por fim, temos uma questão mais privada da vida do Ditador, que é os seus amores, sendo que morreu sozinho.

Foi um livro que me surpreendeu, e que acima de tudo me transmitiu conhecimento. Fiquei surpreendida com a forma de atuação do PCP, que muito sinceramente era deplorável, com a relação entre Marcello Caetano e Salazar que era no mínimo peculiar, sendo o primeiro quase uma espécie de primo afastado chato, mas que não podemos estar sempre a ignorar, e também a forma como Salazar controlava o seu próprio governo, de como a sua mente funcionava. 

A forma de escrita do autor é bastante impessoal, ou seja, é direta é simples, para que qualquer pessoa consiga ler e acima de tudo perceber. Diria até que é um livro para o público em geral, não há toda uma escrita floreada e complexa, e sem dúvida que é um ponto a favor. Além disso tem também algumas fotografias o que é sempre bom para nos enquadrarmos.

Contudo não é um livro que recomende de mão cheia a qualquer pessoa, mas sim a quem gosta de ler sobre este período da história, a quem se interessa pelo Estado Novo, e também a quem gosta de ler biografias, de certeza que vão gostar.

Classificação


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