A minha convidada de hoje é escritora de fantasia, e sempre teve a certeza foi que um dia viria a crescer para ser escritora. Esteve recentemente na China, e passou toda a experiência para um livro. Hoje a minha conversa é com Patricia Morais. 

Olá Patricia, antes de mais obrigada por me ceder esta entrevista. Qual foi a sua última leitura?

A minha última leitura terminada foi o Manual de Sobrevivência de um Escritor de João Tordo (que demorei meses a terminar). Como estou em processo de revisão do meu próximo livro (Cinzas) acabo sempre por ficar com as leituras desorganizadas.

Como entrou a escrita na sua vida?

Através da leitura. Sempre tive o bichinho da escrita, já na primária fazia composições longas e detalhadas. Eu era a inveja dos meus colegas. Eles tinham dificuldades em escrever “no mínimo 10 linhas” e eu chegava e escrevia uma página inteira! Mas a paixão pela escrita começou aos 9 anos quando li o meu primeiro livro “a sério”, Harry Potter e a Pedra Filosofal.

Sombras foi o seu primeiro livro, onde acompanhamos uma organização de caçadores de demónios. Como surgiu o mote para este livro?

Sempre adorei temas de fantasia e sobrenatural. E, influenciada pela série Sobrenatural e o diário de John Winchester, comecei um caderno onde incluía toda a pesquisa que fazia sobre mitologia e folclore. Mas foi depois de ler os livros de Vampire Academy que me apaixonei por vampiros e YA. Isto tudo, combinado com uma altura menos boa da minha vida, levou-me a escapar para o mundo fictício dentro da minha mente e a história começou a surgir quase que sozinha. Decidi então fazer uso da pesquisa que tinha acumulado até ali e escrever algo que incluía não só os monstros populares da altura, mas também com algo completamente diferente. 

Continuou a história deste primeiro livro com o Chamas, e recentemente Correntes. Foi algo pensado desde início, ou foi totalmente inesperado?

Sombras era para ter sido apenas um livro, mas quanto mais escrevia mais ideias tinha para estes personagens pelo que me apercebi que não conseguiria incluir tudo o que tinha imaginado num só livro. Algumas das cenas em Chamas (e futuramente Cinzas) já tinham sido pensadas, outras não. 

A história de Ada (Correntes) foi inesperada e surgiu-me quando estava a escrever Sombras. Lembro-me perfeitamente de estar a tomar banho enquanto ouvia a canção dos Flyleaf, Fire Fire. E, quando ouvi os versos “You’re ashamed of where you’re from,/Crying ’cause your father’s drunk” e “Crying ’cause your father’s wrong/Trying to be something new/You feel that you have something to prove” fez-se um clique e sabia que aquela canção falava sobre a Ada e o porquê dela ter ido parar à organização de caçadores. 

Que mais podem os leitores esperar desta série? Há mais livros planeados?

Pelo menos um de certeza. Cinzas tem demorado mais tempo a terminar do que esperava, devido a muitos problemas de motivação, mas está finalmente no bom caminho. Agora, se tudo correr bem gostaria de escrever mais mini histórias sobre os outros caçadores. 

Escreve fantasia, algo que ainda tem pouca expressão em Portugal, principalmente em livros editados. Como foi ver os seus livros editados? E como surgiu essa oportunidade?

Acho que tive muita sorte. Quando comecei a enviar o meu manuscrito às editoras, a Porto Editora tinha acabado de lançar uma chancela para editar apenas autores portugueses, a Coolbooks, e como na altura os livros de fantasia sobre vampiros estavam na moda eles devem ter achado que era algo que valia a pena apostar. Sempre foi o meu sonho ser publicada na Porto Editora – e apesar de não ser bem na própria editora, nem no formato que queria (porque na altura eles só publicavam em e-book) – achei que valia a pena o risco. Era isso ou a Chiado Editora, que foi a primeira a dizer-me que sim. Na altura eu não sabia nada sobre vanity presses, mas o instinto disse-me que não deveria pagar para publicar o meu livro. Decidi que se não conseguisse agora, ia continuar a trabalhar nos outros dois livros até conseguir encontrar alguém que tivesse interesse. E depois apareceu a Coolbooks. 

Mais recentemente editou um livro completamente diferente do que habituou o público, Crónicas de Shaolin, onde escreve sobre a sua viagem à China para aprender artes marciais. Como surgiu a oportunidade de escrever este livro?

Foi algo completamente inesperado. A ideia de escrever sobre a experiência nunca me tinha passado pela cabeça até ter enviado um e-mail ao meu editor com o manuscrito de Chamas e a avisar que ia para a China. Ele respondeu a dizer que o colega, assessor de comunicação e amante de artes marciais, tinha tido a ideia de relatar a experiência e depois fazer um livro. E eu adorei a ideia. 

Como descreveria a experiência em terras chinesas em apenas uma palavra?

Desafiante.

Muitas devem ser as perguntas que lhe fazem sobre a viagem, qual é a que mais cansada está de ouvir?

“Oh, estiveste na China? Sabes falar chinês?”

 Qual tem sido o feedback em relação à obra?

Apesar de testemunhos deste género não ser algo com grande audiência em Portugal, a crítica tem sido muito boa. É um relato muito íntimo das experiências que vivi e, acho que os aspetos emocionais criam empatia nas pessoas que passaram por experiências semelhantes. Algumas pessoas não sabem bem o que esperar quando começam o livro e pensam que é apenas sobre artes marciais, mas é um livro muito humano.

Tem outro projeto relacionado com a escrita, a Sociedade de Escritores Portugueses. Como surgiu o projeto e em que consiste?

A ideia para a Sociedade de Escritores Portugueses (SEP) começou em janeiro deste ano quando decidi focar-me mais no marketing dos meus livros. Comecei a receber alguns pedidos de parceria e a procurar também blogs literários que me pudessem ajudar na divulgação. E depois lembrei-me de quando estava a começar e como cometi uma série de erros, porque não fazia ideia de onde encontrar estes bloggers, (ou beta-readers que pudessem dar-me a sua opinião antes de enviar para a editora). Decidi então criar uma plataforma onde os escritores que estão agora a começar pudessem evitar os erros que cometi. No site poderão encontrar já os bloggers e beta-readers dispostos a apoiá-los. Desde então tenho vindo a ter mais ideias para o projeto, mas tem estado um pouco parado devido às minhas escritas, marketing e trabalho profissional. 

Qual acha ser o erro mais frequente no autor quando edita um livro?

Eu falo pela minha própria experiência, acho que muitos dos escritores jovens querem tanto ver o seu livro publicado que apressam um pouco o processo. No meu caso foi por exemplo não ter tido a opinião de beta-readers antes de começar a enviar para as editoras. E, agora quando releio acho que houve algumas partes que foram demasiado apressadas. 

Se tivesse a oportunidade de se encontrar um escritor que admira, quem seria e o que não podia deixar de lhe perguntar?

A minha escritora preferida é um tema de controvérsia de momento, mas continua a ser a J.K. Rowling. Teria de lhe perguntar como é que conseguiu criar uma história com tal detalhe sem se perder, como é que faz para continuar a ter ideias completamente originais e por fim qual é o segredo para criar uma história que atrai milhões?

Como convenceria um leitor a ler um dos seus livros? Qual acredita ser o seu fator diferenciador. 

Os meus livros principais, apesar de serem fantasia e terem as típicas criaturas que conhecemos, estão repletos de referências mitológicas de todo o mundo. Muitos me dizem que a pesquisa para o livro é bastante notória e acho que é isso que atrai os leitores: a possibilidade de entrar num mundo imaginário que não parece ser imaginário. Não há aquele corte onde somos puxados para a realidade, porque é tudo pesquisado com detalhe para que o leitor sinta que aquele mundo existe mesmo. 

No Crónicas de Shaolin, acho que o fator dominante tem a ver com o facto de ser uma experiência completamente diferente e acima de tudo ser algo que cria empatia. Porque quem é que não sonha deixar tudo e ir atrás de um sonho?

Por fim, tem projetos para um futuro próximo? Se sim, quais?

De momento quero mesmo terminar a trilogia de Sombras, por isso não penso começar nada antes de terminar este projeto. Mas tal como disse gostaria de escrever mais histórias sobre este mundo. Também ando a magicar uma ideia para um livro de terror. Vamos ver como corre!

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