Regresso mais uma terça feira com uma conversa literária. À semelhança da quinzena passada continuaremos nos thrillers e policiais, todavia, hoje teremos um autor nacional. Trabalha na área da radioterapia, e lançou o seu primeiro livro em março de 2021. Segredo Mortal foi publicado pela Cultura Editora e tem feito a delicia dos leitores, hoje estaremos à conversa com o Bruno M. Franco!

Antes de mais, muito obrigada Bruno, por esta oportunidade.
Trabalha na área da saúde, mais precisamente em Radioterapia. Sendo um homem das ciências como surgiu a escrita na sua vida?

A escrita surgiu, primeiro, através da leitura. Creio que todos os escritores começam por gostar de ler antes de quererem escrever. É um pouco como termos de aprender a andar antes de correr. A ideia da escrita só surgiu aos 14 anos, quando terminei de ler o Eragon, de Christopher Paolini, numa altura em que já era um leitor ávido. No final do Eragon, a editora desafiava os jovens escritores a enviarem os seus manuscritos. Embora ainda não escrevesse, a semente dessa ideia ficou na minha cabeça a germinar. Uns meses mais tarde, ainda com 14 anos, a minha mãe faleceu. E foi este acontecimento terrível que me levou definitivamente para a escrita, porque encontrei nas letras uma forma de expelir a dor que sentia e porque também precisava de uma forma de viver outras vidas, de ser outra pessoa que não eu. É por isso que a leitura e a escrita são atividades tão importantes para mim. São verdadeiras paixões.

Segredo Mortal é o seu mais recente livro, como foi o processo criativo? Tinha a história na sua cabeça, tudo devidamente planeado, ou foi descobrindo o enredo à medida que o foi escrevendo?

O Segredo Mortal pode ser dividido em quatro partes mais importantes: o tema principal; o Carlos; o Lúcio; a dupla de inspetores Leonardo e Marta. A parte do tema foi algo que descobri há dez anos, quando estava a fazer zapping a tomar o pequeno-almoço. É um tema tão brutal e assustador que disse para mim mesmo que teria de escrever um livro em torno disto. A parte do Carlos criei nesse mesmo ano de 2011 quando surgiu um concurso de um blogue. Em 2014, quando me debrucei finalmente para escrever o Segredo Mortal, peguei no tema que já tinha pesquisado e na história do Carlos e adicionei o principal: a minha dupla de inspetores da PJ e o grande assassino do enredo. Gosto de planear um pouco, mas também gosto de ir improvisando ao longo do caminho. Muitas vezes, surpreendo-me a mim mesmo enquanto escrevo!

Como surgiu a ideia para um enredo tão macabro?

Essa ideia surgiu no meu interesse genuíno pelo tema dos assassinos em série. Sempre me fascinou perceber a mentalidade deles e os motivos pelos quais os serial killers fizeram o que fizeram ao longo da história mundial. Além disso, gosto muito dos policiais nórdicos e uma característica em comum é esse nível elevado do macabro. Na pesquisa descobri coisas muito interessantes e, também, chocantes. Quem ler o livro irá perceber. É estranho imaginar até onde a mente humana pode ir.

Qual foi a sensação ao ver a história que criou a ganhar destaque nas livrarias e na vida dos leitores?

Foi absolutamente maravilhoso. Não me canso de agradecer às pessoas que, como tu, divulgam o meu livro e partilham a sua opinião de uma forma tão original e bonita. Só com o vosso apoio, de todos os bloggers e bookstagrammers, é que o Segredo Mortal conseguiu ter este sucesso que, embora modesto comparado com outros pesos pesados, para mim é extraordinário! É uma base muito boa para começar a crescer cada vez mais. É como as pirâmides: quanto maior a base, mais alto podemos chegar. Posso dizer que a minha base está com um tamanho considerável. Nunca esperei que o livro criasse tanto entusiasmo junto dos leitores, embora soubesse que tinha potencial para isso. Têm sido dois meses muito bons. Obrigado a todos!

Segredo Mortal é um livro que tem muitos factos e curiosidades ao longo de toda a história. Quanto tempo dedica à investigação para as suas obras, para as tornar tão ricas neste aspeto?

Os assuntos principais, neste caso o tema principal e a parte dos assassinos em série, dediquei bastante tempo antes de começar a escrever, até porque gosto de me inspirar nos temas para desenhar o fio condutor do enredo. Os restantes assuntos pesquisei ao longo da escrita do livro para acrescentar informações úteis e interessantes. Gosto de pesquisar bem o suficiente para abordar o assunto de forma coerente e correta, mas não gosto de pôr palha para não aborrecer o leitor e para que o leitor pesquise por si próprio caso algo lhe puxe o interesse. Vários leitores referiram que houve assuntos que pesquisaram depois de ler sobre isso no meu livro e isso é muito bom. Gosto de lançar a curiosidade e a discussão sobre determinados assuntos.

Vamos ter mais livros a acompanhar esta dupla de detetives?

Sim, já estou a começar a escrever o segundo e já tenho uma ideia geral do terceiro. Estou muito entusiasmado!

Como tem lidado com a opinião dos leitores? Estão a ir de encontro às suas expectativas?

Tenho lidado muito bem! A grande maioria são opiniões fantásticas, o que é sempre bom e é, na prática, o grande objetivo do livro: fazer com que os leitores passem ótimos momentos de leitura. Claro que também já tive opiniões menos boas, mas estou tranquilo quanto a isso. Sei que não é possível agradar a todos e, tendo em conta a quantidade de opiniões que já foram publicadas, era mesmo impossível que não houvesse uma única menos positiva. Além de que confio imenso no valor do Segredo Mortal.

Não é segredo para ninguém que publicar um livro em Portugal é complicado. Como foi o processo de publicação? Desde a escolha da editora, até à publicação do livro em si?

Publicar um livro em Portugal é difícil se quisermos as coisas bem feitas e com uma editora profissional e preocupada com os seus autores e com a qualidade dos livros. Como referi, escrevi o Segredo Mortal em 2014 e disse para mim mesmo que só o iria publicar com uma editora tradicional, que trabalhasse o livro e o apoiasse depois de ser lançado ao mundo. Mas a verdade é que a grande maioria das editoras nunca respondeu aos meus contactos ou, quando o fez, notava-se que eram respostas genéricas e que nem tinham lido o livro. Em 2017 andava a ficar sem esperança, até que foi criada a Agência das Letras. Contactei-a e passados uns meses iniciou-se um processo de avaliação da minha obra, a qual teve uma critica literária muito positiva, e umas reuniões muito interessantes. No final, assinei contrato com a Agência e foi ela que me abriu a porta à Cultura Editora. Não sei o que teria sido de mim e do Segredo Mortal se não fosse a Agência das Letras.

Quais são os autores que admira e são para si uma inspiração? 

Os autores que admiro e que são uma inspiração para mim são: JK Rowling, Tess Gerritsen, Lars Kepler, Donato Carrisi, Dan Brown, Daniel Silva e Jeff Abbott.

Quem gostar do livro “x” gostará do meu. Que livros acha, que quem leu, gostará do seu?

Pelo que tenho lido por aí, quem gostou dos livros dos Lars Kepler (e de autores nórdicos no geral) e do Robert Bryndza, irão certamente gostar de Segredo Mortal. Também tenho a certeza que o mesmo se aplica a quem gostou dos livros da série Rizzoli da Tess Gerritsen.

Por fim, o que nos pode contar sobre os seus projetos futuros? 

Tenho vários projetos para o futuro e estou muito entusiasmado com eles. Só não tenho tempo de os concretizar com a brevidade que desejaria. Posso dizer que tenho vários livros em perspetiva e que nem todos são policiais/thrillers. No entanto, os próximos a ser publicados serão desse género certamente. Posso revelar que no próximo livro haverá mais protagonismo da inspetora M&M (Marta Mateus). E mais não digo para não estragar as surpresas. 

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