O convidado desta semana é ator para além de escritor. Publicou o seu primeiro livro, “A Mão que Mata” em 2021, pela cultura editora, e após três meses nas bancas chegou à 2ª edição. A conversa é com o Lourenço Seruya.

Desde já agradeço a sua disponibilidade para conversar comigo. O Lourenço é ator de profissão, como entrou a escrita sua vida?

Obrigado eu pelo convite! A escrita surge na sequência do meu gosto pela leitura. Desde miúdo que sempre adorei ler e assim que percebi que os livros não caíam do céu e havia pessoas que os escreviam, surgiu em mim a vontade de escrever.

Estive um ano na universidade a estudar Comunicação, mas depois acabei por me formar em Teatro. Dois anos depois do curso, fiquei desempregado durante uma série de tempo e foi nessa fase que comecei a escrever “A Mão que Mata”.

O seu primeiro livro “A Mão que Mata” editado este ano pela Cultura Editora, como surgiu a ideia para o enredo do livro?

A primeira ideia que me surgiu foi em relação ao local da história: a Serra de Sintra. A partir daí, o resto foi surgindo naturalmente, como se de alguma forma a história e as personagens já estivessem no meu subconsciente à espera que eu as pusesse no papel.

Queria que o livro se passasse num local isolado, para que o núcleo de suspeitos fosse reduzido. Imaginei uma casa de campo e pus as personagens a atravessar um momento que é sempre tenso: partilhas entre familiares.

São muitas as pessoas que comparam o seu livro ao género de mistério da Agatha Christie, foi coincidência ou foi uma inspiração?

Foi inspiração. Li o primeiro livro da Agatha Christie aos 12 anos e fiquei fascinado com a sua obra. Os seus livros foram a influência mais importante para a minha escrita.

Qual a sensação ao vê-lo passar para físico, e estar nas prateleiras das livrarias?

É maravilhosa! A primeira vez que o vi numa prateleira foi na Fnac e fiquei simultaneamente eufórico e arrepiado. Ainda hoje, quando passo por ele numa livraria, fico com o coração acelerado, mas confesso que o que me deixou ainda mais eufórico foi o facto de ter chegado à 2ª edição, três meses após ter sido publicado.

Podemos esperar mais livros com estes inspetores?

Sim, planeei uma série de livros com estes inspetores da PJ e eles voltarão em breve. Tenho já idealizadas seis ou sete histórias. Ao longo da série, vai haver uma evolução nas personagens dos inspetores. Vão-lhes acontecer coisas muito boas e outras muito más, como a todas as pessoas. O segundo livro já está em fase de revisão

Como foi a jornada de publicação do seu livro?

Foi… uma montanha russa! O livro ia ser publicado em 2020 por uma chancela de um grande grupo editorial, mas depois da pandemia as coisas complicaram-se e rescindiram o meu contrato. Fiquei sem chão. Já tínhamos a edição toda feita e a capa definida, o livro estava pronto para ir para a gráfica e, de repente, foi tudo por água abaixo.

No final do verão de 2020, voltei a abordar editoras e acabei por receber 4 respostas positivas. Assinei contrato com a Cultura Editora perto do final do ano, e em Maio de 2021 o livro foi publicado.

Cada vez há mais autores de policiais e thrillers portugueses, não teve receio de possíveis comparações por parte dos leitores?

Não. Neste género específico de policial (do género da Agatha Christie), há muito poucos autores portugueses a escreverem. Os ingleses e os suecos, por exemplo, têm um número enorme de escritores que se aventura neste género, mas em Portugal não tem muita expressão.

As comparações são inevitáveis e acho que não são prejudiciais. Não olho para os outros escritores portugueses como “rivais” ou “concorrentes”, há espaço para todos. O facto de uma pessoa ler um livro meu, não significa que não vá ler o livro de outro escritor de policiais.

Olhando para o panorama literário nacional qual é o/a autor/a que é para si uma referência? E porquê?

O João Tordo, pela diversidade (e qualidade) da sua obra. Não só escreve romances (inclusive policiais), como também é autor de vários argumentos para televisão e cinema.

A Alice Vieira também é uma referência, tem um percurso extensíssimo e com um leque de leitores muito alargado: desde as crianças e jovens, até aos adultos.

Se tivesse a oportunidade de ir tomar um café com um autor, vivo ou morto, quem escolheria, e porquê?

Posso escolher dois? O Eça de Queiroz e a Agatha Christie, gosto muito dos livros de ambos.

E o que não poderia deixar de perguntar?

Pedia-lhes para me descreverem os respetivos processos de criação e de escrita.

Do género: Se gostou deste livro, irá gostar do meu, que livros encaixaria?

O Natal de Poirot (Agatha Christie), A Princesa de Gelo (Camilla Läckberg), O Enigma de Sally (PD James), A Casa do Gelo (Minette Walters).

Quão importante é a opinião do leitor para si?  

É importante q.b., ou seja, claro que quero que as pessoas gostem dos meus livros, mas não vivo dependente disso. Nenhum escritor é consensual, portanto, desde o início tive a consciência de que haveria pessoas que iam gostar dos meus livros, e outras que não iam gostar. Faz parte. Acho que o mais importante é não ficarmos deslumbrados com os elogios, nem desmotivados com os comentários negativos.

Qual é o livro que considera ser o livro da sua vida? 

Pergunta difícil. Há vários que me marcaram, mas vou destacar um livro de poesia do José Luís Peixoto chamado “A Criança em Ruínas”.

Por fim, o que nos pode contar sobre os seus projetos futuros?

Em relação à escrita, estou a fazer a revisão do segundo livro, que traz de novo a brigada de inspetores da PJ que apareceu n’ A Mão que Mata. Em princípio, será publicado no início de 2022.

Relativamente ao trabalho de ator, no fim deste mês de Setembro vai estrear na TVI uma mini-série chamada “Pecado”, onde apareço como ‘Jorge’.

Paralelamente a isto, continuo a dar aulas de Expressão Dramática e estou já a apontar ideias para o terceiro livro.

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