Em 2020 li o primeiro volume desta trilogia de José António Saraiva, tarde eu sei, mas parece praxe ler um destes livros no verão. Neste volume José António Saraiva aborda os dois chefes do Estado Novo, Salazar e Caetano, no tempo em que ambos acreditavam que chefiavam o governo.  

No primeiro volume percebemos como Salazar chega ao poder, quem é o homem que foi o chefe da maior ditadura da europa, já com alguns aparecimentos de Marcello Caetano, de modo que já percebíamos como era o seu feitio, mas é só neste segundo volume que ele chega ao poder. Terminamos então o primeiro volume com a famosa queda de Salazar de uma cadeira, que eu tudo percebemos que não é a verdadeira razão do que aconteceu, o Chefe de Estado está em coma Casa de Saúde de Benfica e é preciso tomar uma decisão.  

Neste volume não temos apenas a decisão do Américo Tomaz de substituir Salazar, é nos contado a história de várias tentativas de derrube do governo, bem como a posição ao longo dos anos de Marcello Caetano. Depois da decisão, bem temos a insólita história de Salazar, o homem que nunca soube que tinha perdido o cargo de Presidente do Conselho.  

Como de certeza que já disse sobre o primeiro volume, mas reforço, este é um dos períodos da história de Portugal que mais me fascina. Há quem goste de ler sobre o Holocausto, eu gosto de ler sobre o Estado Novo, e confesso que às vezes parecia estar a ler ficção! 

A nível social a época do Estado Novo é pautada pela pobreza e pela repressão e não nos podemos esquecer isso, mas se olharmos para o fenómeno de Salazar, estamos perante um homem que nunca quis fazer parte do governo, que já lá tinha estado uns dias no passado e tinha voltado para Coimbra. Era um homem do interior, e como dizia o meu professor de história na faculdade, ele tinha uma mente pequena e fechada de quem vivia na província.  

Onde vivia, no Palacete de São Bento, eram criadas galinhas e hortícolas para sustento de quem lá vivia, uma vez que Salazar albergava algumas crianças. Ou seja, ele, por mais que tivesse mais condições, a verdade é que vivia também ele numa economia de subsistência, e a forma como geria as suas finanças pessoais era a mesma como que geria o orçamento do estado. 

Quanto ao que conhecemos de Marcello Caetano, que é o protagonista do próximo volume, a verdade é que ele tem uma mente completamente diferente de Salazar. É um homem que viajou, que casou, que abriu horizontes, apesar de serem ambos do interior do país.  

No que li neste volume, acho ele tinha como objetivo acabar com a guerra colonial, e a longo prazo com a ditadura, pelo menos. no estado em que a conhecíamos, mas tinha sem dúvida de fazer tudo com muito cuidado para não dar a entender aos conservadores que era liberal, nem aos liberais que era conservador. Por isso abriu as portas do partido a gente mais jovem, com ideias diferentes e menos conservadores. Estou bastante curiosa para ler o livro que é sobre ele. 

Acho que deu para perceber que gostei bastante deste livro, como sempre emergi na história de Portugal, uma história que é recente e que os portugueses por norma não conhecem assim tão bem. Para quem gosta de história, recomendo, e para quem gosta de ler sobre este período da história, vale a pena ler, pelo menos, estes dois volumes.

Classificação

Rating: 4 out of 5.

Leitura Com Apoio

gradiva

Sobre o Livro

Salazar e Caetano - O Tempo em Que Ambos Acreditavam Chefiar o Governo do José António Saraiva

Salazar e Caetano – O Tempo em Que Ambos Acreditavam Chefiar o Governo do José António Saraiva
ISBN:
 9789896169879
Edição: 08-2020
Editor: Gradiva
Páginas: 384
Género: Não-Ficção, História
Onde Comprar
Wook
Bertrand
Goodreads: 3,92✯ (aqui)

Sinopse

Marcello Caetano instala o seu gabinete no edifício do Parlamento, ficando com vista para o palacete onde vive Salazar, já enfermo. Dá-se assim o facto extraordinário de o antigo e o novo chefe do Governo estarem instalados a oitenta metros um do outro, separados por um jardim!

Marcello, da sua janela, pode ver Salazar sentado debaixo da pérgula onde gosta de estar; e este, quando contempla o edifício da Assembleia, pensando que ainda detém o poder, não sonha que ali à sua frente trabalha o verdadeiro presidente do Conselho. É uma situação nunca vista!

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