A conversa de hoje é a Liliana Duarte Pereira. Licenciada em Política Social, Liliana apresenta-nos um conto passado num mundo alternativo de muita opressão. Já com três contos publicados, admite que tem uma preferência por histórias curtas, mas que quer um dia escrever um livro “grande”.
Convido-vos a conhecer melhor a Liliana.

Olá Liliana, desde já obrigada por ter dispensado o seu tempo para conversar comigo.
Como surgiu o seu gosto pela escrita?

Acredito que o gosto pela escrita foi crescendo comigo, quanto mais não seja porque faço parte de uma geração que escrevia nos chamados diários. Na fase da adolescência gostava muito de colecionar cadernos, onde registava palavras e frases que me chamavam à atenção, lembranças que ia recolhendo e fotografias. Era muito dada a escrever coisas mais emocionais, mal sabia eu que o meu destino seria a escrita de terror.

Participou da antologia de contos Sangue Novo em 2021. Como surgiu o convite e qual o seu primeiro pensamento quando o recebeu?

O meu primeiro contacto com a escrita de terror ocorreu quando conheci o Pedro Lucas Martins através da Escrever Escrever.  Realizei com ele o curso de Escrever Terror e oficinas quinzenais. Apesar do terror ser o meu género preferido, nunca tinha pensado em escrever. O impulso foi mesmo este encontro feliz e a maior riqueza foi ter tido a oportunidade de aprender em conjunto com pessoas que partilham o mesmo gosto, que compreendem e apreciam o terror tanto quanto eu.

Quando o Pedro me convidou para fazer parte da antologia Sangue Novo fiquei contente, mas preocupada também. O meu primeiro pensamento foi «tenho mesmo de escrever uma história decente para não desiludir o Pedro». Felizmente foi um processo muito bom, porque o Pedro me deu liberdade para escrever a história que eu tinha na cabeça, foi acompanhando o processo, respeitou sempre o meu ritmo e a minha forma de expressão. Estive também sempre disponível para ouvir o feedback dele, aprendi muito e sou grata pelo resultado ter sido o meu «Manicómio das Mães».

Participa novamente numa antologia de contos de terror, em 2022 em Sangue. O género de conto é algo que gosta de escrever? Principalmente de terror?

Em 2022 para além da antologia Sangue, participei também na antologia Rua Bruxedo com o conto «Fertilidade». Tenho escrito essencialmente contos e sempre no género de terror que é, sem qualquer dúvida, onde me sinto mais confortável. É a minha praia. O terror dá-me uma liberdade única porque me permite escrever sem limitações e sobre qualquer tema. Neste género sabemos que algo vai correr mal, pelo que não existe aquela obrigação de agradar ninguém.

É licenciada em Política Social, e o seu conto em Sangue, aborda a discriminação num mundo completamente alternativo. É algo que gosta de abordar nos seus textos?

É inevitável que a minha formação de base e experiência profissional tenham alguma influência na minha perceção sobre determinados temas, contudo, gosto de ir explorando diferentes ideias. Tenho, por exemplo, fascínio por histórias de terror em meio rural ou por histórias de terror ligadas a temas religiosos. Como as histórias que vou escrevendo resultam de estímulos distintos, acabam sempre por ser diferentes umas das outras. 

Como surgiu a ideia para este conto?

Quando tive conhecimento do concurso e soube que o tema da antologia seria Sangue, a primeira ideia que me veio à cabeça foi «consanguinidade» e foi dela que parti. Para tornar a história mais complexa imaginei um casal composto por duas mulheres e primas direitas. O contexto de viverem num regime extremista acho que é uma preocupação comum hoje em dia e o cenário do matadouro propriamente dito já existia na minha cabeça, mas destinava-se a uma história diferente. O que fiz foi juntar estas ideias e o resultado foi esta história, da qual gosto muito por ser visual e pesada.

Escreveu dois contos, escrever um livro “inteiro” só seu, está nos seus planos?

Tenho três contos publicados, dos quais gosto muito. Mas sim, está nos planos escrever um livro só meu, contudo, tenho consciência que ainda preciso de tempo e de treino para escrever algo mais extenso. Confesso que gosto muito de escrever contos e por esse motivo tenho ainda muita tendência para escrever histórias curtas.  

Se tivesse a oportunidade de ir tomar um café com um autor, vivo ou morto, quem escolheria, e porquê?

Como evito falar com pessoas falecidas, aproveitava para tomar um café com o Stephen King. Seria uma oportunidade única para falar com um autor de terror tão conceituado.

O que não podia deixar de perguntar?

Faria certamente questões sobre a sua rotina de escrita, quais as suas fontes de inspiração e como funciona o seu processo criativo. No fundo, gostava de ficar a conhecer o caminho percorrido até chegar ao resultado final. Como o percurso não deve ser o mesmo para todos os livros, faria perguntas mais específicas sobre os que mais gostei.

Qual é o livro que considera ser o livro para da sua vida?

Não considero nenhum livro como o livro da minha vida porque gosto de pensar que o melhor livro está ainda por ler. Ainda assim, posso fazer referência a dois livros que gosto muito que são Misery de Stephen King e Conduz o Teu Arado sobre os Ossos dos Mortos de Olga Tokarczuk.

Do género “quem leu o livro x gostará da Antologia Sangue”, que livros escolhia?

Na verdade, da antologia Sangue eu só conheço o meu conto. Só depois da apresentação da antologia é que vou ter acesso a todas as histórias. De qualquer forma, acho que quem leu a antologia Sangue Novo também vai gostar da antologia Sangue, considerando que alguns dos autores são comuns a ambas as antologias.

Por fim, o que nos pode contar sobre os seus projetos futuros?

Para o futuro, tenciono continuar a praticar a minha escrita, a participar em oficinas e concursos literários, a colaborar com a Fábrica do Terror e quem sabe reunir alguns contos e publicar um pequeno livro.

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