Se há coisa que Julia Quinn sabe fazer é escrever romances de época que se leem num instante, e A Bela e o Vilão foi exatamente isso para mim. Este é o sexto livro da série Os Bridgerton e, desta vez, acompanhamos Francesca Bridgerton e Michael Stirling.
Michael tem fama de libertino, sedutor e tudo aquilo que seria de esperar de um homem com a sua reputação. O problema é que se apaixona por Francesca precisamente quando ela está prestes a casar com o seu primo.
Portanto, péssimo timing.
Durante anos, guarda o que sente para si e mantém-se ao lado dela como amigo, sem nunca ultrapassar essa linha. Quando Francesca fica viúva, a relação entre os dois começa inevitavelmente a mudar, mas não de uma forma simples. Há culpa, luto, sentimentos antigos e muita coisa que nenhum dos dois sabe muito bem como dizer.
Uma das coisas que mais gostei foi perceber que parte desta história acontece em paralelo com acontecimentos do quarto e do quinto livros. Dá aquela sensação de estarmos a regressar a momentos que já conhecemos, mas agora a vê-los de outro lugar, e achei isso particularmente interessante.
Também gostei bastante do Michael. Talvez precisamente porque, apesar de toda a fama de devasso, passa grande parte do livro completamente rendido a uma única mulher e a tentar fingir que não. É raro nestes romances vermos o homem apaixonado primeiro e durante tanto tempo, e aqui isso funciona muito bem.
A Francesca também é uma Bridgerton um bocadinho diferente dos irmãos. É mais reservada, mais independente e carrega um peso emocional que torna esta história menos leve do que outras da série.
Ainda assim, foi precisamente aí que senti que o livro podia ter ido mais longe. Há temas relacionados com o luto, a culpa e o medo de seguir em frente que podiam ter sido explorados com mais profundidade. Julia Quinn toca neles, mas depois acaba por escolher um caminho mais leve, e fiquei com a sensação de que havia ali mais qualquer coisa para desenvolver.
Dito isto, eu tinha planeado ler este livro ao longo de um mês e terminei-o em dois dias. Portanto, claramente alguma coisa fez muito bem.
Não foi o meu preferido dos Bridgerton, mas gostei bastante da relação entre a Francesca e o Michael e, sobretudo, dessa ideia de um amor que esteve anos no sítio errado e na altura errada.
Para quem já está mergulhado no universo Bridgerton, vale muito a pena continuar a série. Não achei perfeito, mas foi daqueles livros em que dizia “só mais um capítulo” e, quando dei por mim, já não havia capítulos nenhuns.
Classificação

A Bela e o Vilão da Julia Quinn
(Bridgertons #6)
Título Original: When He Was Wicked
ISBN: 9789892329239
Edição: 05-2015
Editor: Edições Asa
Páginas: 272
Género: Romance de Época
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Bertrand
Goodreads: 3,97✰ (aqui)
Sinopse
Libertino. Devasso. Debochado. Três adjetivos que podiam descrever Michael Stirling na perfeição. Bem conhecido nas festas londrinas, quer desempenhasse o papel de sedutor ou o papel de seduzido, uma coisa era certa: nunca entregava o coração. Ele teria até acrescentado a palavra “pecador” ao seu cartão de visita se não achasse que isso mataria a pobre mãe.
Mas ninguém é imune ao amor. Quando a seta de cupido atinge Michael, dá início a uma longa e tortuosa paixão – pois o alvo dos seus afetos, Francesca Bridgerton, tem casamento marcado com o seu primo.
Mas isso foi antes. Agora, Francesca está novamente livre. Infelizmente, ela vê Michael apenas como um ombro amigo – até à fatídica noite em que lhe cai inocentemente nos braços, e a paixão se revela mais poderosa e intensa do que o mais perverso dos segredos…
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