O thriller que dividiu a internet
Há livros que parecem inofensivos — até te dás conta de que o mundo inteiro está a falar deles. A Criada, de Freida McFadden, é exatamente esse tipo de fenómeno. Um thriller psicológico que conquistou milhões de leitores, dividiu opiniões e se tornou um verdadeiro caso de hype literário.
Decidi finalmente ler o livro — cortesia da Tânia, do @saboresedissaboresliterarios, que me emprestou (obrigada!). E confesso que entrei com curiosidade e uma pitada de ceticismo: será mesmo tão bom quanto dizem?
A história
Millie é uma jovem à procura de uma nova oportunidade, e o emprego como empregada doméstica na casa dos Winchester parece um verdadeiro golpe de sorte. Uma família rica, uma mansão deslumbrante, um salário decente. O que poderia correr mal?
Tudo, claro.
À medida que Millie se instala, percebe que os segredos dos Winchester são bem mais perigosos do que o seu próprio passado. Nina, a dona da casa, comporta-se de forma estranha — quase cruel. Andrew, o marido, parece esconder algo. E há uma tensão constante no ar que faz com que cada capítulo soe a alerta.
O que gostei
A escrita é fluida e envolvente, daquele tipo que nos faz pensar “só mais um capítulo” até percebermos que já é madrugada.
O enredo é cheio de mistério e tensão, com aquele clima de desconfiança que tanto gosto nos thrillers. Há um plot twist marcante, que realmente surpreende e dá uma boa reviravolta à história.
As personagens são interessantes — especialmente Millie, que tem uma força silenciosa que me cativou.
O que podia ser melhor
Apesar de o livro ser viciante, encontrei algumas incongruências na narrativa que me tiraram um pouco da imersão. Há momentos que soam apressados, e certas explicações não convencem totalmente. Ainda assim, o ritmo rápido e o suspense constante compensam.
Conclusão
A Criada é um thriller que cumpre o seu papel: prende, entretém e deixa-te desconfiar de todos até à última página.
Não é uma obra perfeita, mas é uma leitura leve, viciante e ideal para quem procura um bom escape psicológico.
Leitura recomendada para quem gosta de:
- Thrillers psicológicos com reviravoltas
- Histórias de segredos e manipulação
- Livros rápidos, com tensão e mistério
Classificação

A Criada da Freida McFadden
(The Housemaid #1)
Título Original: The Housemaid
ISBN: 9789895701124
Edição: 06-2023
Editor: Alma dos Livros
Páginas: 336
Género: Thriller Doméstico
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Wook
Bertrand
Goodreads: 4,28✰ (aqui)
Sinopse
Por trás de cada porta, ela consegue ver tudo.
«Bem-vinda à família», diz Nina Winchester enquanto me cumprimenta com a sua mão elegante e bem cuidada. Sorrio educadamente e olho para o longo corredor de mármore.
Este emprego caiu-me do céu. Talvez seja a minha última oportunidade para mudar de vida. E o melhor de tudo é que aqui ninguém sabe nada acerca do meu passado. Posso esconder-me e fingir ser aquilo que eu quiser. Infelizmente, não tardo a descobrir que os segredos dos Winchester são muito mais perigosos do que os meus…
Todos os dias limpo a bela casa dos Winchester de cima a baixo, vou buscar a filha deles à escola e cozinho uma deliciosa refeição para toda a família antes de subir e comer sozinha no meu quarto minúsculo no sótão.
Tento ignorar a forma como Nina gera o caos só para me ver limpar. Como conta histórias inverosímeis sobre a filha. E como o seu marido, Andrew, parece cada dia mais destroçado. Quando o vejo, e àqueles belos olhos castanhos tão tristes, é difícil não me imaginar no lugar de Nina. Com o marido perfeito, a roupa chique, o carro de luxo. Um dia, experimentei um dos seus vestidos só para ver como me ficava. Mas ela percebeu… e foi aí que descobri porque é que a porta do meu quarto só trancava pelo lado de fora…
Se sair desta casa, será algemada.
Devia ter fugido enquanto podia. Agora, a minha oportunidade desapareceu. Agora que os polícias estão na casa e descobriram o que está no andar de cima, não há volta atrás.
Estão a cerca de cinco segundos de me ler os direitos. Não sei muito bem porque não o fizeram ainda. Talvez esperem induzir-me a dizer-lhes algo que não devia.
Boa sorte com isso.
O polícia com o cabelo preto raiado de grisalho está sentado ao meu lado no sofá. Muda a posição do seu corpo entroncado sobre o cabedal italiano cor de caramelo queimado. Pergunto-me que tipo de sofá terá em casa. Não um, certamente, com um preço de cinco dígitos como este. Provavelmente de uma cor foleira como laranja, coberto de pelo de animais de estimação e com mais do que um rasgão nas costuras. Pergunto-me se estará a pensar no seu sofá em casa e a desejar ter um como este. Ou, mais provavelmente, está a pensar no cadáver lá em cima no sótão.
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